SESEST - Multidisciplinary Scientific Journal

DIDÁTICA INCLUSIVA: JOGOS PEDAGÓGICOS NA PERSPECTIVA DE INCLUSÃO

DIDÁTICA INCLUSIVA: JOGOS PEDAGÓGICOS NA PERSPECTIVA DE INCLUSÃO

Carla dos Santos Rodrigues[1]

Davi Braga da Silva[2]


RESUMO

Entendida como fator predominante no processo de apropriação do conhecimento, a utilização das atividades que envolvem os jogos pedagógicos apresenta o desenvolvimento de inúmeras habilidades que vão desde a apropriação da linguagem, chegando até mesmo a fomentar habilidades voltadas para o alcance da autoestima e o desvelamento de situações de vida cotidiana, o que por sua vez, implica rever como de fato a família e a escola tem incentivado tal pratica.

Partindo desse pressuposto e conhecendo relevância que s jogos pedagógicos exercem no desenvolvimento Biopsicossocial (biológico, psicológico e social) do aluno é que se pretende desenvolver este projeto de pesquisa com vistas ao entendimento de algumas habilidades e bloqueios que ocorrem na fase escolar que corroboram para o desalinhamento das competências e habilidades deste indivíduo.

A educação lúdica sempre esteve presente em todas as épocas entre os povos e estudiosos, sendo de grande importância no desenvolvimento do ser humano na educação infantil e na sociedade. Os jogos e brinquedos sempre estiveram presentes no ser humano desde a antiguidade, mas nos dias de hoje a visão sobre o lúdico é diferente. Implicam-se o seu uso e em diferentes estratégias em torno da pratica no cotidiano.

PALAVRAS-CHAVE: Didática inclusiva, Jogos Pedagógicos, Inclusão.

ABSTRACT

Understood as a predominant factor in the process of appropriation of knowledge, the use of activities involving the pedagogical games presents the development of countless skills ranging from the appropriation of language, reaching even the to foster skills aimed at achieving self-esteem and the unwinding of situations of everyday life, which in turn implies reviewing how in fact the family and the school have encouraged such practice.

Based on this assumption and knowing the relevance that the pedagogical games exert in the biopsychosocial (biological, psychological and social) development of the student is intended to develop this research project with a view to the understanding of some Skills and blockages that occur in the school phase that corroborate the misalignment of the competencies and abilities of this individual.

Ludic education has always been present in all ages between peoples and scholars, being of great importance in the development of the human being in early childhood education and society. The Games and toys have always been present in the human being since antiquity, but nowadays the vision about the playful is different. They imply their use and in different strategies around the practice in daily life.

KEYWORD: Inclusive Didactics, Educational Games, Inclusion

1. INTRODUÇÃO

É imprescindível salientar que a socialização e interação se concretizarão conforme o aluno vai se adaptando ao contexto escolar. Para que isto aconteça, o professor deve analisar a sua prática pedagógica, proporcionar um ambiente que atenda as expectativas do aluno incluso, os materiais de ensino, os recursos didático-pedagógicos e o planejamento adequados. Não podemos esquecer-nos dos empecilhos encontrados por professores e alunos no processo ensino-aprendizagem. Pois, o autismo apresenta vários graus e para cada criança é imprescindível uma atividade diferenciada que atenda suas peculiaridades.

O artigo irá enfatizar a importância do uso do material didático-pedagógico na aprendizagem do aluno autista, a formação docente, o mediador em sala de aula e outros fatores que contribuem para uma educação inclusiva de qualidade para que nossos alunos inclusos tenham os mesmos direitos de aprendizagem.

A educação inclusiva no Brasil é recente, no entanto a lei nº 9394/96 já assegurava que a educação especial seria oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, com serviços de apoio especializado, currículos, métodos e técnicas, professores qualificados para atender o aluno com deficiência. A criança com autismo ao ser inclusa em uma sala de aula regular é um grande avanço, pois permitirá a mesma ter a oportunidade de socializar e interagir no espaço escolar, visto que, anos atrás isso era impossível.

Muitos pais se sentiram penalizados diante desta situação, levando para si o sentimento de culpa ocasionando a superproteção de seus filhos. Não havia um acompanhamento psicológico, total ausência do Estado que pudesse auxiliar os pais na superação das dificuldades e nenhuma política pública para tirar as famílias e seus filhos da exclusão social. A ausência da oferta de educação escolar inclusiva para crianças especiais também foi um dos fatores que acarretavam esta exclusão.

Diante de todo esse contexto, os educandos que apresentam inclusão pedagógica necessitam de um olhar diferenciado para que haja de fato um desenvolvimento nos aspectos social, afetivo e cognitivo. É imprescindível repensar na reestruturação do espaço físico, nas estratégias da prática pedagógica, na formação docente e nos recursos didático-pedagógicos para a melhoria da qualidade de ensino dessas crianças.

E ao falarmos na educação inclusiva no Brasil, na década de 60, o atendimento a alunos com deficiência era separado dos alunos ditos normais. Na década de 70 iniciou-se uma nova tendência no campo educacional em que algumas escolas passam a aceitar alunos com deficiência desde que os mesmos conseguissem se adaptar ao plano de ensino da instituição.

Já constava na Lei 5692/71 em seu artigo 9º que os alunos com deficiência física e mental, além dos superdotados deveriam receber tratamento especial conforme as normas fixadas pelos Conselhos de Educação, entretanto esses alunos estudavam em classes especiais no ensino regular ou em escolas especiais. A Educação Especial foi vista apenas como um ensino paralelo ou segregação de alunos, as ações do governo eram de cunho assistencialista.

2. DESENVOLVIMENTO

2.1 CONTEXTO HISTÓRICO E A EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO BRASIL

A educação lúdica sempre esteve presente em todas as épocas entre os povos e estudiosos, sendo de grande importância no desenvolvimento do ser humano na educação infantil e na sociedade. Os jogos e brinquedos sempre estiveram presentes no ser humano desde a antiguidade, mas nos dias de hoje a visão sobre o lúdico é diferente. Implicam-se o seu uso e em diferentes estratégias em torno da pratica no cotidiano.

Brincando, a criança vai construindo os alicerces da compreensão e utilização de sistemas simbólicos como a escrita, assim como da capacidade e habilidade em perceber, criar, manter e desenvolver laços de afeto e confiança no outro. Esse processo tem início desde o nascimento, com o bebê aprendendo a brincar com a própria mãozinha e, mais adiante, com a mãe. Assim como aos poucos vai coordenando, agilizando e dotando seus gestos de intenção e precisão progressivas, vai aprendendo a interagir com os outros, inclusive com seus pares, crescendo em autonomia e sociabilidade. (OLIVEIRA, 2002,).

Para a criança, as brincadeiras proporcionam um estado de prazer, o que leva à descontração e, consequentemente, ao surgimento de novas ideias criativas que facilitam a aprendizagem de novos conteúdos e interações conscientes e inconscientes, favorecendo a confiança em si e no grupo em que está inserida.

Diante disto, a escola precisa se dar conta que através do lúdico as crianças têm chances de crescerem e se adaptarem ao mundo coletivo. O lúdico deve ser considerado como parte integrante da vida do homem não só no aspecto de divertimento ou como forma de descarregar tensões, mas também como uma forma de penetrar no âmbito da realidade, inclusive na realidade social.

O sentido real, verdadeiro, funcional da educação lúdica estará garantindo se o educador estiver preparado para realizá-lo. Nada será feito se ele não tiver um profundo conhecimento sobre os fundamentos essenciais da educação lúdica, condições suficientes para socializar o conhecimento e predisposição para levar isso adiante (ALMEIDA, 2000, p.63)

Por meio de uma brincadeira de criança, pode-se compreender como ela vê e constrói o mundo o que ela gostaria que ele fosse quais as suas preocupações e que problemas a estão assediando. Pela brincadeira, ela expressa o que tem dificuldade de traduzir em palavras. Nenhuma criança brinca espontaneamente só para passar o tempo, embora ela e os adultos que a observam possam pensar assim. Mesmo quando participa de uma brincadeira, em parte para preencher momentos vagos, sua escolha é motivada por processos internos, desejos, problemas, ansiedades. O que se passa na mente da criança determina suas atividades lúdicas; brincar é sua linguagem secreta, que devemos respeitar mesmo que não a entendemos.

No brincar a criança está sempre acima de sua idade média, acima de seu comportamento diário. Assim, na brincadeira de faz-de-conta, as crianças manifestam certas habilidades que não seriam esperadas para sua idade. Nesse sentido, a aprendizagem cria a zona de desenvolvimento proximal, ou seja, a aprendizagem desperta vários processos internos de desenvolvimento. Deste ponto de vista, aprendizagem não é desenvolvimento; entretanto o aprendizado adequadamente organizado resulta em desenvolvimento mental e põe em movimento vários processos de desenvolvimento que, de outra forma, seriam impossíveis de acontecer (VYGOTSKY apud OLIVEIRA, 2002, p. 132).

O jogo permite a expressão ludocriativa, podendo abrir novas perspectivas do uso dos códigos simbólicos. Mas, para que estas ideias se consolidem, é importantíssimo compreender os diferentes estágios de desenvolvimento mental infantil e adequar os brinquedos às potencialidades das crianças e, sobretudo, buscar diversificá-los com o objetivo de explorar novas inteligências e áreas ainda não desenvolvidas.

É enorme a influência do brinquedo no desenvolvimento de uma criança. É no brinquedo que a criança aprende a agir numa esfera cognitiva, ao invés de agir numa esfera visual externa, dependendo das motivações e tendências internas, e não por incentivos fornecidos por objetos externos (Vygotsky (1989: 109)

As brincadeiras que são oferecidas à criança devem estar de acordo com a zona de desenvolvimento em que ela se encontra, desta forma, pode-se perceber a importância do professor conhecer a teoria de Vygotsky. No processo da educação infantil o papel do professor é de suma importância, pois é ele quem cria os espaços, disponibiliza materiais, participa das brincadeiras, ou seja, faz a mediação da construção do conhecimento.

A desvalorização do movimento natural e espontâneo da criança em favor do conhecimento estruturado e formalizado ignora as dimensões educativas da brincadeira e do jogo como forma rica e poderosa de estimular a atividade construtiva da criança. É urgente e necessário que o professor procure ampliar cada vez mais as vivências da criança com o ambiente físico, com brinquedos, brincadeiras e com outras crianças.

Pelo ato de brincar, a criança pode desenvolver a confiança em si mesma, sua imaginação, a autoestima, o autocontrole, a cooperação e a criatividade, o brinquedo revela o seu mundo interior e leva ao aprender fazendo. A escola que respeitar este conhecimento de mundo prévio da criança e compreender o processo pelo qual a criança passa até alfabetizar-se, propiciando-lhe enfrentar e entender com maior tranquilidade e sabor os primeiros anos escolares poderá ser considerado um verdadeiro ambiente de aprendizagem.

(…) podemos dimensionar a importância do momento atual da educação brasileira para as crianças com deficiências e suas famílias. A empreitada nacional, empreendida por pais e gestores no sentido de constituir sistemas de ensino inclusivos, vem retirando as crianças com deficiências e suas famílias do isolamento sócio- histórico a que foram submetidas, enquanto segregadas em escolas especiais, tornando pauta das discussões da gestão educacional à responsabilidade e os desafios para a garantia do direito dessas pessoas à educação.

Tanto a escola quanto a sociedade devem estar abertas ao processo de inclusão, respeitando a diversidade e culturas diferenciadas. A escola tem o papel de trabalhar as diferenças respeitando o aluno em toda a sua singularidade contribuindo no seu crescimento pessoal e acadêmico, preparando-o para o mercado de trabalho, de uma forma que o educando sinta-se incluído no meio social.

Ao longo do tempo através de lutas, organizações e leis voltadas à Educação Especial em 1994 tem-se a Declaração de Salamanca, resultado da Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais que reafirmou a educação de pessoas com deficiência como parte integrante do sistema educativo. O Brasil foi um dos países que fizeram parte desta conferência se comprometendo a formular políticas públicas para a educação inclusiva.

 Na concepção de Glat e Pletsch (2011) Apud Menezes (2012) a Declaração de Salamanca foi considerada um marco porque foram propostas ações que viabilizassem um suporte pedagógico especializado junto ao ensino comum para que os alunos inclusos pudessem perpassar todos os níveis e modalidades de ensino. Visto que, toda criança tem direito à educação e ao nível adequado de aprendizagem independente da sua deficiência.

No mesmo ano surgiram a Política Nacional de Educação Especial e o Plano Decenal de Educação para Todos, além da LDB 9394/96 que foram marcos e início da caminhada para a Educação Inclusiva no Brasil. Comparando a LDB 4024/61 com a atual LDB 9394/96 nós avançamos bastante, pois o aluno incluso na nova lei não é separado dos ditos normais, pelo contrário são garantidos a ele didáticas diferenciadas, material de apoio especializado, currículos e métodos que atendam as suas necessidades, além da adaptação do espaço físico. Portanto, cabe à escola assegurar as condições necessárias para uma educação de qualidade.

2.2 DISCUSSÃO DE RESULTADOS

Durante a chegada de um aluno com autismo na escola o primeiro contato com a família é fundamental para que a equipe pedagógica e o professor possam conhecer a história de vida do educando e a sua deficiência, verificar o laudo médico e posteriormente analisar quais instrumentos avaliativos poderão ser trabalhados com a finalidade de identificar paulatinamente as dificuldades.

De acordo com Cunha (2017, p.52) “quem avalia um educando com autismo deve, desde o contato inicial, na sua chegada à escola, transmitir-lhe a segurança de que ele está conquistando um novo ambiente e que será bem recebido (…).” Quando se fala em inclusão escolar não é apenas a inserção do aluno em sala de aula, mas fazer com que ele se adapte ao contexto escolar. É grande o papel do professor no atendimento de alunos com deficiência para que eles tenham avanços mesmo que sejam pequenos.

A troca de experiências entre um aluno com autismo e os alunos ditos normais é importante para o seu aprendizado, pois todo esse trabalho contribui para o desenvolvimento sóciocognitivo. Cunha (2017, p.33) acentua que “O professor realmente precisa aprender a se relacionar com a realidade do mundo autístico onde nessa relação quem aprende primeiro é o professor e quem vai ensinar-lhe é o seu aluno”. É importante destacar alguns pontos que dificultam a evolução da criança com Transtorno do Espectro Autista como birra, choro, grito, recusa em realizar certas atividades. O professor necessita colocar limites adequadamente para que não prejudique a socialização e aprendizagem da criança. A cada avanço desse aluno em suas atividades o professor deve elogiá-lo.

A inserção do educando precisa estar acompanhada de um trabalho pedagógico para possibilitar o seu desenvolvimento integral, interação social, linguagem e habilidades respeitando suas particularidades, já que o ambiente possibilita a vivência e as experiências infantis. É um processo lento, mas com resultados significativos para todos aqueles que acreditam que a inclusão escolar é um fator preponderante na sociabilização desse alunado. Chiote (2013) apud Melo (2014) enfatiza que não basta apenas incluir a criança com autismo em uma escola regular vai, além disso, é necessário proporcionar aprendizagens que tenham significado para essa criança, explorando as suas potencialidades.

Cunha (2017, p.48) ainda destaca “(…) o aluno com autismo jamais poderá estar privado da interação com os outros e de aprender em grupo. Sempre que possível, o tempo com os demais deverá ser acrescido e nunca diminuído. (…)”. São elementos que contribuem para a autonomia e crescimento nos campos pessoal, interpessoal e cognitivo, além de conhecer as regras sociais, as amizades e outros aspectos que fazem parte da convivência.

Nas escolas durante muito tempo o jogo era visto apenas como um passatempo na hora da recreação, um momento para gastar energia, não era visto como um instrumento valioso que colabora no desenvolvimento das inteligências múltiplas da criança. Hoje, pode se dizer que dentro da perspectiva da educação inclusiva o professor necessita de instrumentos para trabalhar com o aluno deficiente para que atendam as suas necessidades.

A utilização de jogos, brinquedos e brincadeiras são recursos a serem trabalhados na sala de aula de modo a conciliar com o trabalho escolar contemplando as atividades diretivas. O jogo e a aprendizagem podem ser explorados de forma complementar, sempre com um objetivo a ser alcançado. Exemplificamos o caso de crianças autistas que tem como característica a habilidade espacial limitada, olhares fixos em detalhes menores. Ao trabalhar a lateralidade e direcionamento na abordagem de Cunha (2017, p.38) o professor deve criar

“(…) Atividades que explorem todos os espaços do ambiente, como correr, rodar pneu, jogar bola. É importante também que o aluno autista participe de brincadeiras junto com os outros alunos. Sempre que ele fixar sua atenção, de forma insólita, em algo particular, será preciso redirecionar, de maneira lúdica, a sua percepção para o todo. Isto será uma constante na educação.”

É proposto aos professores jogos e brincadeiras que venham favorecer a capacidade espacial do autista, além da sociabilidade com as demais crianças. O ato de se movimentar possibilita o indivíduo aperfeiçoar a sua coordenação motora e a percepção corporal, por isso a importância de incluir os jogos e brincadeiras como recursos didáticos. No aprimoramento da coordenação motora fina o recomendável são as atividades de colagem e atividades com material reciclado, pois envolvem o trabalho manual. Entretanto, não pode ser um roteiro longo e repetitivo.

Ao estimular a comunicação dos alunos com TEA, o professor pode trabalhar com gravuras, desenhos, linguagem alfabética, objetos reais e miniaturas, confecção de recursos de apoio visual, com base em sua rotina escolar, explorando fotos de locais ou do aluno no âmbito da escola, obras artísticas de grande expressão para que os alunos possam reproduzi-las e assim atrair a atenção e a criatividade.

Com relação à alfabetização podem ser trabalhados a música, teatro, gincanas, atividades com vogais e consoantes, leitura global, método silábico, alfabeto móvel e a informática. No ensino da Matemática, o ato de brincar é uma forma de atrair o aluno com TEA na aplicação das operações básicas, inserindo atividades lúdicas que atraiam o interesse e esforço para atingir os objetivos propostos pelo professor.

O aluno vai se adequar melhor de acordo com o seu perfil, visto que, há diferentes graus de autismo que influenciam no processo ensino-aprendizagem. Para Schmidt (2013, p. 128) “O professor com esses conhecimentos enriquecerá seu repertório na forma de ensinar seus alunos e com isso entenderá melhor a forma de aprendizado de cada um”. Por isso, a necessidade de atividades diferenciadas conforme as suas características.

A sensibilidade aos estímulos sensoriais contribui para o estresse em sala de aula, o professor pode estimular brincadeiras que vão contribuir no alívio das tensões decorrentes das limitações sensoriais, não esquecendo que essas brincadeiras devem ser mudadas periodicamente, em caso de inquietações na sala de aula.

Destarte, o aluno com autismo tem todas as competências mínimas para aprender, contudo ele precisa de ajuda para desenvolver seus estímulos. Os materiais pedagógicos são de grande valia nas práticas educativas escolares, materiais estes que têm a função de trabalhar a cognição e a motricidade, o docente tem o grande papel de criar atividades por meio de recursos pedagógicos que possa atender o aluno autista contribuindo para o seu progresso mesmo que seja lento.      

O quanto é essencial um trabalho coletivo de todos os profissionais que trabalham com esses alunos na melhora de seu desenvolvimento sóciocognitivo. O professor da sala de recursos pode contribuir com os professores das salas de aula regular na elaboração de estratégias, recursos e organização da rotina, conforme a peculiaridade de cada criança. Os alunos com deficiência devem freqüentar a sala de recursos, beneficiando-se das atividades e dos recursos pedagógicos para uma melhor acessibilidade em salas de aula regular.

O professor precisa de uma formação adequada de forma a conhecer a deficiência do aluno para elaborar estratégias de ensino. Segundo consta na Lei 9394/96 art. 59 em seu inciso III que será assegurado aos alunos com deficiência “professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns”. Assim sendo, o professor precisa de qualificação e aperfeiçoamento para trabalhar com as diferenças individuais do alunado, adotar diferentes metodologias e o planejamento que garanta o aprendizado dos mais variados tipos de educando.

São inúmeros os empecilhos dos profissionais da educação diante de todo esse processo gerando por parte de alguns professores angústia, medo e falsas convicções na impossibilidade de um aluno com autismo desenvolver o seu aprendizado. Percebemos que, com a necessidade da educação inclusiva, criam-se leis, mas, nem sempre, existem as possibilidades de preparação daqueles que trabalham na escola. Portanto, não bastam apenas haver leis, é imprescindível o investimento aos profissionais da área.

Indubitavelmente o despreparo dos profissionais para trabalhar com a diversidade do alunado é latente. Uma educação inclusiva de qualidade depende da formação de professores, recursos e investimentos voltados à qualificação docente. O professor precisa ter os conhecimentos mínimos a respeito da deficiência de seu aluno, possuir os materiais pedagógicos de qualidade que o auxiliem no processo ensino-aprendizagem, autonomia para desenvolver o seu trabalho e em casos mais delicados um mediador em sala de aula.

Dependendo do desenvolvimento da criança faz-se necessário um mediador como consta na lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência 13.146/15 em seu art. 28 incube ao poder público inciso XVII “oferta de profissionais de apoio escolar”. O educador encontra respaldo na lei ao reivindicar um mediador para ajudá-lo no processo de inclusão, bem como facilitar o trabalho em sala de aula.

A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2008) enfatiza a respeito da formação de professores para o atendimento educacional especializado, formação esta que deve preparar o docente para trabalhar a individualidade de cada aluno, a diversidade de aprendizagem, cujos alunos são diferentes uns dos outros, não existe uma turma única e homogênea, cada um tem sua singularidade.

Ferreira (2017, p.60) afirma que “Em razão das singularidades dos alunos com autismo é preciso que o professor receba formação específica com relação às metodologias de ensino utilizadas para lidar com estas crianças.” É através da metodologia que os alunos têm condições de se apropriar dos conhecimentos propostos atendendo as suas expectativas. Com base nisso, o plano educacional individualizado é utilizado nas salas de recursos e pode ajudar o professor a conhecer as características de cada criança, bem como as atividades e estratégias que servirão de apoio ao processo educativo.

O professor e a escola precisam de condições mínimas ao desenvolver um processo ensino-aprendizagem satisfatórios, como a formação do professorado, redução de alunos por turma, material de apoio especializado, a presença de um mediador, adaptação do currículo que atenda à diversidade e a parceria escola-família. Com essas ações haverá de fato uma educação inclusiva que dê suporte ao aluno com deficiência.

2.3 MATERIAS E MÉTODOS

 A Educação Infantil para ser efetiva deve promover simultaneamente, o desenvolvimento de conhecimento, de atitudes e de habilidades necessárias à preservação e melhoria da qualidade do ensino aplicado. Utilizam-se como laboratório, os recursos naturais e físicos, iniciando pela escola, expandindo-se pela circunvizinhança e sucessivamente até a cidade, a região, o país, o continente e o planeta.

A aprendizagem será mais efetiva se a atividade estiver ligada às situações da vida real da cidade, do meio em que o aluno vive e da disposição do professor. Baseando-se na importância do lúdico com crianças de cinco anos este trabalho servirá para esclarecer dúvidas de como é empregado no cotidiano na educação infantil, verificando também se existe nas crianças alguma dificuldade na assimilação da aprendizagem durante o desenvolvimento de alguma atividade.

Serão realizadas oficinas de jogos, elaboração de brincadeiras, exercícios e jogos teatrais e jogos coletivos de variados temas, sempre voltando para a realidade de cada aluno.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este artigo teve como finalidade como ferramenta didáticas que poderão ajudar o professor de inclusão dos alunos com deficiência através da utilização dos recursos didático-pedagógicos no processo ensino-aprendizagem e as estratégias adotadas pelas escolas para promover a sua inclusão. Destacamos também a importância da formação de professores na perspectiva da educação inclusiva e seus desafios enfrentados em sala de aula.

Para que haja sucesso na inclusão escolar o poder público precisa cumprir o seu papel oferecendo formação continuada aos docentes, disponibilizar material didático, contratação de profissionais de apoio, diminuição do número de crianças na classe e adequar a estrutura física da escola. Professores e alunos necessitam desse olhar diferenciado, pois inclusão não é integrar o deficiente na escola regular, pelo contrário, é fazer com que ele participe, interaja, se desenvolva globalmente e o educador possa ter as condições mínimas para promover a inclusão.

Não podemos nos esquecer da parceria escola-família fundamental no trabalho integrado focado no processo evolutivo da criança. O aluno com autismo responde de maneira diferenciada as atividades propostas, o ambiente escolar deve proporcionar a sua participação ativa e por esta razão os métodos e as técnicas de ensino específicas são necessárias para que assim possa ocorrer a aprendizagem significativa e de qualidade.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional-LDBEN.

______. Lei nº 5692/71. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília: Diário Oficial, 12 de agosto de 1971.

______. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência).

ALMEIDA, Paulo Nunes, Educação Lúdica, Técnicas e Jogos Pedagógicos. São Paulo: Loyola, 1995.

OLIVEIRA, Vera Barros de (org.). O Brincar e a Criança do Nascimento aos Seis Anos. 4 ed. Petrópolis: Vozes, 2002.

VYGOTSKY, L. 1989. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes.

SESEST - Multidisciplinary Scientific Journal

Envie sua Publicação!

Compartilhe suas descobertas

×