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ATIVIDADES LÚDICAS NOS ESPAÇOS EXTERNOS À SALA DE REFERÊNCIA: CONTRIBUIÇÕES PARA O PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DA APRENDIZAGEM DAS CRIANÇAS

ATIVIDADES LÚDICAS NOS ESPAÇOS EXTERNOS À SALA DE REFERÊNCIA: CONTRIBUIÇÕES PARA O PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DA APRENDIZAGEM DAS CRIANÇAS

Ivo Monteiro dos Santos[1]

Suany Costa de Souza[2]

Elio Raimundo Nascimento Silva[3]

Nelcineide do Carmo Silva[4] 

Mireia Souza da Silva[5]


RESUMO

A presente pesquisa tem como objetivo compreender a importância de como as atividades lúdicas nos espaços externos à sala de referência podem vir a contribuir para o processo de desenvolvimento da aprendizagem das crianças. Trata-se de uma revisão de literatura, utilizando-se de uma abordagem qualitativa, onde o seu desenvolvimento está dividido em três seções: a primeira sobre a identificação das contribuições das atividades lúdicas para o desenvolvimento da aprendizagem das crianças, a segunda sobre do destaque das atividades lúdicas no desenvolvimento da aprendizagem das crianças em ambientes externos à sala de referência e a terceira sobre a funcionalidade da atividade lúdica em espaços externos. Por meio desta pesquisa pôde-se aferir que as atividades lúdicas trazem grandes contribuições para a vida e para o processo de aprendizagem das crianças envolvidas na área da educação infantil, permitindo que as mesmas elaborem seus conflitos e suas aflições, assumindo papéis e situações que não são permitidas na vida real.

Palavras-Chave: Atividade lúdica. Espaços externos. Sala de referência. Aprendizagem.

ABSTRACT

This research aims to understand the importance of how playful activities in spaces outside the reference room can contribute to the process of children’s learning development. This is a literature review, using a qualitative approach, where its development is divided into three sections: the first on identifying the contributions of playful activities to the development of children’s learning, the second on highlighting of playful activities in the development of children’s learning in environments outside the reference room and the third on the functionality of playful activities in external spaces. Through this research it was possible to verify that playful activities bring great contributions to the life and learning process of children involved in the area of ​​early childhood education, allowing them to work out their conflicts and afflictions, assuming roles and situations that are not are allowed in real life.

Keywords: Playful activity. External spaces. Reference room. Learning.

INTRODUÇÃO

No panorama nacional, o aspecto lúdico é um tema que tem conquistado um amplo espaço na área da educação infantil, principalmente por ser o brinquedo o marco da infância da criança e sua utilização no setor pedagógico permitir a produção do conhecimento, dando ênfase a origem da palavra lúdico (latim ludus) que significa brincar.

A expressão brincar abrange os brinquedos, jogos e diversões que estão inteiramente ligados com a conduta daquele que joga, que brinca e que se diverte. Dessa forma, a finalidade educativa do jogo oportuniza a aprendizagem do indivíduo, sem saber, seu conhecimento e sua compreensão do modelo do mundo atual (FLORES, 2014).

As atividades lúdicas no que se refere aos jogos e brinquedos sempre fizeram parte da vida da criança, independentemente de época, cultura e classe social, porém no que se refere à educação, sabe-se que são muitos os desafios a serem enfrentados para que esta área possa ser considerada como geradora de ferramentas de aprendizagens e de novos avanços científicos.

Em minha trajetória acadêmica e mediante a algumas observações feitas em alguns estágios supervisionados durante o curso de Pedagogia, percebi algumas peculiaridades sobre os espaços externos à sala de referência, onde a maioria das escolas utilizam os espaços apenas para o momento recreativo, sem a utilização dos parâmetros metodológicos de ensino, tornando-se uma atividade somente como um momento de lazer.

Por esse motivo, foi-se construído e desenvolvido o tema desta pesquisa, intitulado como: Atividades lúdicas nos espaços externos à sala de referência: contribuições para o processo de desenvolvimento da aprendizagem das crianças.

Esse trabalho justifica-se pela relevância do tema e também pelo fato de haver poucos projetos voltados para essa problemática, visto que, o lúdico é importante na educação infantil, pois, é por meio dele que a criança vem a desenvolver habilidades para a aprendizagem acontecer, devendo o educador direcionar toda a atividade fazendo a brincadeira perder o caráter livre promovendo um caráter pedagógico, promovendo interação social e o desenvolvimento de habilidades intelectivas.

O pesquisador Kishimoto (2013), afirma na obra intitulada: o brincar e suas teorias, que a educação pela via da ludicidade propõe uma nova postura existencial, cujo paradigma é um novo modelo de aprendizagem, onde a criança aprende brincando, inspirado numa concepção de educação que vai além da instrução, sendo essencial a sua utilização como uma forma facilitadora de junção dos espaços lúdicos.

Nesse contexto, essa pesquisa visa responder a seguinte problemática:

– De que forma é possível desenvolver atividades lúdicas nos espaços externos à sala de referência, a fim de buscar o melhor desenvolvimento da aprendizagem das crianças?

De acordo com esse problema foi gerado questões norteadoras, tais como: Quais as contribuições das atividades lúdicas para o desenvolvimento da aprendizagem das crianças? Como as atividades lúdicas contribuem no desenvolvimento da aprendizagem das crianças em ambientes externos à sala de referência? Qual a importância em destacar o estudo das atividades lúdicas nos espaços externos à sala de referência?

Diante disso, o objetivo geral desta pesquisa é identificar atividades lúdicas nos espaços externos à sala de referência: buscando o melhor desenvolvimento da aprendizagem das crianças. E os três objetivos específicos relevantes ao tema são: Identificar as contribuições das atividades lúdicas para o desenvolvimento da aprendizagem das crianças; Destacar as atividades lúdicas no desenvolvimento da aprendizagem das crianças em ambientes externos à sala de referência; e Descrever a funcionalidade da atividade lúdica em espaços externos à sala de referência para crianças da educação infantil.

A metodologia escolhida para este trabalho é de caráter bibliográfico com o intuito de identificar e avaliar a produção das pesquisas acadêmicas sobre o lúdico nos espaços externos à sala de referência. De acordo com Marconi e Lakatos (2011), a pesquisa bibliográfica procura explicar e discutir um tema com base em referências teóricas publicadas em livros, revistas, periódicos, objetivando conhecer e analisar conteúdos científicos sobre determinado tema.

Trata-se de uma pesquisa que se utiliza de uma abordagem qualitativa, trabalhando com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, correspondentes a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis.

Assim, o presente trabalho se dividirá em três seções onde irá apresentar detalhadamente os principais objetivos dessa pesquisa. No primeiro momento irá ser identificado as contribuições das atividades lúdicas para o desenvolvimento da aprendizagem das crianças, apresentando de que forma o educador pode vir contribuir com um plano adequado de acordo com a necessidade da escola, exemplificando o que o lúdico pode favorecer no processo de aprendizagem, no desenvolvimento pessoal, cultural, no processo de socialização da criança.

No segundo momento, serão destacadas as atividades lúdicas no desenvolvimento da aprendizagem das crianças em ambientes externos à sala de referência mostrando quais atividades podem favorecer no processo de aprendizagem e como podem proporcionar uma aula que desenvolve a interação entre professor e alunos.

E no terceiromomento, será descrita a funcionalidade da atividade lúdica em espaços externos à sala de referência para crianças da educação infantil, proporcionando às crianças aulas educativas, prazerosas que favoreçam no seu processo de conhecimento.

1. IDENTIFICAR AS CONTRIBUIÇÕES DAS ATIVIDADES LÚDICAS PARA O DESENVOLVIMENTO DA APRENDIZAGEM DAS CRIANÇAS.

É perceptível que as atividades lúdicas na área da educação infantil são, sem dúvida alguma, um dos pilares para a construção do intelecto e da realidade física e funcional da criança, pois é através dessas brincadeiras que se pode visualizar a gênese do seu comportamento social e cognitivo.

De acordo com Maia (2016), quando a criança não brinca, presenta problemas de inibição psíquica ou cognitiva, ou seja, mesmo que uma criança viva numa pobreza, ela consegue se adaptar e brincar com qualquer objeto de forma lúdica, porque é inerente ao ser a todo ser humano.

Todos necessitam de uma infância que proporcione, além da moradia, alimentação, saúde, afetividade, uma educação com espaço para brincar e se desenvolver.  Isso é de responsabilidade de cada professor, especialmente quando se trabalha diariamente com as crianças, tentando romper com alguns paradoxos de infância, permitindo e favorecendo o brincar.

Para o autor Osetto (2012), na obra intitulada: Encontros e encantamentos na educação infantil, a atividade lúdica na vida da criança pode ser compreendida quando se considera a totalidade dos aspectos envolvidos, tais como: preparação para a vida, prazer de atuar livremente, possibilidade de repetir experiências, realização simbólica de desejos.

Já para a autora Fátima Salles (2012), na obra intitulada: Currículo na educação infantil, a criança brinca para conhecer a si própria e aos outros em suas relações recíprocas, para aprender as normas sociais de comportamento, os hábitos determinados pela cultura, para conhecer os objetivos em seu contexto, ou seja, o uso cultural dos objetos, para desenvolver a linguagem e a narrativa, para trabalhar com o imaginário, para conhecer os eventos e fenômenos que ocorrem à sua volta.

Assim, o brincar se torna importante no desenvolvimento da criança de maneira que as brincadeiras e jogos que vão surgindo gradativamente na vida do ser desde os mais funcionais até os de regras, são elementos elaborados que proporcionarão experiências, possibilitando a conquista e formação da sua identidade.

O papel fundamental do educador ao conduzir as atividades lúdicas é proporcionar a socialização dos educandos e desenvolver a capacidade dos mesmos de assimilarem o conteúdo exposto da melhor maneira possível, onde a aplicabilidade do meio lúdico é estimular o processo de estruturação social, afetiva e cognitiva da criança, mantendo o espírito de realização no adulto.

As atividades lúdicas presentes no dia a dia da criança contribuirão para o processo de ensino-aprendizagem servindo para desenvolver a intelectualidade, a autoconfiança, a exploração, a curiosidade, o raciocínio, a emoção, a psicomotricidade, ampliando os seus valores e a sociabilização com os outros indivíduos.

De acordo com Torres (2017), o lúdico proporciona alegria nos espaços em que se faz presente, ao mesmo tempo em que possibilita a esperança de liberdade ao mundo todo, sugerindo também que há outras possibilidades para a vida humana, facilitando a integração entre as crianças, descobrindo outras formas de expressar-se, deixando o aluno cada vez mais feliz.

Para a pesquisadora Andrade (2016) na obra intitulada: Educação infantil: discurso, legislação e práticas institucionais, as atividades lúdicas favorecem a autoestima das crianças colaborando na superação progressiva de sua criatividade e interiorizando determinado modelo adulto, atuando para o desenvolvimento da identidade e da autonomia do aluno.

No cenário atual da educação o lúdico tem uma tarefa difícil, pois o educador tem que ter uma fundamentação teórica bem estruturada e ter a consciência de que está trabalhando com uma criança modernizada, e que o repertório de atividades precisa ser adaptado a estas situações.

Cada criança possui sua individualidade, seu ritmo, enfim, sua singularidade, o espaço que ela frequenta deverá ser composto de elementos que façam da escola um local que ofereça a oportunidade, personalizando seu ambiente, fazendo dele um local recheado de experiências significativas para seu desenvolvimento.

É fundamental olhar para a criança e buscar compreendê-la melhor no seu desenvolvimento total e na sua individualidade, considerando sempre o contexto social em que está inserida.

A importância do brincar de crianças na Educação Infantil tem o direito a uma educação lúdica, de ter dignidade e poder usufruir desses espaços sociais. O educador tem que ter a consciência de que o brincar ludicamente faz parte da educação da criança.

A capacidade de fantasiar que o brincar permite e oportuniza à criança viver situações afetivas, positivas e negativas, destruição e reparação, faz com que ela reviva sua experiência de relação com o mundo exterior e com ela mesma.

Cabe ao professor, como adulto mais experiente, estimular brincadeiras, ordenar o espaço interno e externo da escola, facilitar a disposição dos brinquedos, mobiliário, e os demais elementos da sala de aula, não as obrigando a participar daquela brincadeira específica. O professor também pode brincar com as crianças, principalmente se elas o convidarem, solicitando sua participação ou intervenção. Mas deve procurar ter o máximo de cuidado respeitando sua brincadeira e ritmo.

As atividades lúdicas devem estar presentes na educação infantil, não para ocupar tempo, mas para que a criança passe a desenvolver a intelectualidade, a autoconfiança, a exploração, a curiosidade, o raciocínio, a emoção, a psicomotricidade, que vai levá-la a ampliar os seus valores e agrupar-se de um modo sadio com as pessoas, os fenômenos transacionais e o brincar, neste contexto, o meio lúdico pode ser visto como um ambiente capaz de acolher a espontaneidade das crianças em busca do seu próprio ser, onde ela pode ser criativa, espontânea e sentir-se segura.

O espaço lúdico é um ambiente necessário visto que as crianças necessitam de um espaço onde possam ter um melhor entendimento na prática, pois é possível verificar que a maior parte das escolas não segue esse padrão de ensino, que na verdade deveria ter por se tratar de crianças, que precisam de atividades onde atraem a atenção delas e com isso elas possam ter uma melhor aprendizagem.

Na concepção da autora Kishimoto (2013), na obra intitulada: brincar e suas teorias, o brincar é definido por Froebel como uma atividade libertadora e de caráter espontâneo da criança, sendo sempre necessária a orientação e supervisão do educador para que as brincadeiras estejam no propósito pedagógico. Nesse caso, o autor enfatiza a necessidade de se ter uma metodologia específica para as atividades, deixando as crianças livres para trabalhar sua criatividade e seu intelecto.

Já a autora Saleh (2014), afirma na obra intitulada: 10 atividades físicas e os benefícios para crianças, que quando a criança brinca ela desenvolve em seu psíquico um mundo imaginário, característico de toda atividade lúdica e consequentemente dar início a mudança de seu comportamento imitando até mesmo as ações de um adulto.

Na visão de Nascimento & Rodrigues (2014), as brincadeiras aumentam a probabilidade de aprendizagem, pois, facilita a finalidade do processo versando tanto para a satisfação em estar brincando como acumulando o saber de forma prática e prazerosa.

Nessa perspectiva, a atividade lúdica aparece como uma ação salvífica para a proposta de novas metodologias com a finalidade de contribuir para a melhoria do processo e ensino-aprendizagem na área da educação infantil, integrando o aluno com o meio externo a sala de referência e fazendo com que o educador conheça de maneira mais intensa o seu aluno, favorecendo até mesmo as crianças tímidas a se socializarem com as demais.

Por essa razão, entende-se que ao contribuir para o aumento da aprendizagem das crianças, a atividade lúdica acaba auxiliando no processo de desenvolvimento social e cultural do aluno, colaborando para uma boa saúde mental, assim como preparando a criança em seu estado interior fértil, facilitando os processos de socialização, comunicação, expressão e construção do conhecimento.

2. DESTACAR AS ATIVIDADES LÚDICAS NO DESENVOLVIMENTO DA APRENDIZAGEM DAS CRIANÇAS EM AMBIENTES EXTERNOS À SALA DE REFERÊNCIA

Durante muito tempo existe uma discussão sobre a questão dos jogos e brincadeiras e sua importância para o desenvolvimento da criança. Na atualidade, diversos pesquisadores estão antenados e motivados a entender e a compreender este fenômeno que propicia grande melhoria no ensino e no comportamento da criança.

Mesmo sendo o jogo uma atividade de caráter espontâneo, se faz necessário a presença ativa do professor, que contribuirá sintetizando algumas funções, tais como: providenciar um ambiente adequado para o jogo infantil e criar espaços e tempo para que os jogos aconteçam. Isso é importante, pois pode permitir as diferentes formas de jogo, por exemplo, as crianças que estejam realizando um jogo mais parado não podem ser atrapalhadas por aqueles que realizam uma atividade que exige mais mobilidade e expansão de movimentos.

Para Araújo (2016), uma das outras funções exercidas pelo educador é justamente enriquecer e valorizar os jogos realizados pelas crianças, sendo até mesmo essencial a participação do professor na atividade desenvolvida a fim de deixar o jogo mais interessante e rico no sentido da aprendizagem contínua dos proponentes envolvidos.

Existem inúmeras brincadeiras que podem ser utilizadas para o desenvolvimento da aprendizagem das crianças na área externa da sala de referência, podendo ser utilizada em turmas de educação infantil, tais como: A toca do coelho; De onde vem o cheiro?; Caixa de sensações; Dentro e fora, Caminho colorido, Pneus, entre outras. A partir desses jogos é perceptível a concepção de que o jogo se apresenta para a criança como uma atividade dinâmica, no sentido de satisfazer uma necessidade (FLORES, 2014).

O quadro apresentado a seguir informa qual o procedimento para as principais brincadeiras mensuradas nesta pesquisa.

Quadro I – Brincadeiras lúdicas para auxiliar no processo de aprendizagem

Nome da brincadeiraProcedimento
Caixa de sensaçõesO professor deverá encapar uma caixa de tênis fazendo um furo com formato de um círculo, com dez centímetros de diâmetro e organizar materiais como retalhos, flocos de algodão, pedaços de lixa, tampinhas, caixinhas e outros objetos e ir colocando-os por uma das extremidades, a fim de que a criança, com a mão do outro lado, identifique o material.
Caminho coloridoO professor deverá encapar uma caixa de tênis fazendo um furo com formato de um círculo, com dez centímetros de diâmetro e organizar materiais como retalhos, flocos de algodão, pedaços de lixa, tampinhas, caixinhas e outros objetos e ir colocando-os por uma das extremidades, a fim de que a criança, com a mão do outro lado, identifique o material.
Toca do coelhoDispor bambolês no pátio da escola de forma que fiquem duas crianças em cada um e que sobre uma fora do bambolê. Ao sinal do educador, as crianças deverão trocar de toca, entrando duas em cada um. Sempre sobrará uma criança fora da toca.
De onde vem o cheiro?A professora irá passar perfume em um paninho e o esconderá na sala, num lugar fácil, onde os alunos deverão descobrir de onde vem o cheiro.
Dentro e foraFazer uma figura geométrica bem grande no chão e pedir que as crianças entrem na delimitação desse espaço. Se quiser o professor poderá fazer de outra forma dentro da que já fez onde irá pedir que os alunos adentrem também, explorando ainda que se a forma é pequena eles irão ficar apertados.
ArremessoO professor fará uma linha no chão, usando fita crepe e as crianças deverão arremessar garrafinhas plásticas cheias de areia, para frente. O professor irá medir as distâncias e verificar quem conseguiu arremessar mais longe. Depois, em sala de aula, poderá fazer um gráfico explicativo.
PneusEsses podem ser usados para várias brincadeiras, como pular dentro e fora, se equilibrar andando sobre a parte de sua lateral ou ainda quem consegue rolar o pneu de um determinado lugar até outro sem deixá-lo cair.
Que som é esse?Com faixas de TNT preto, vendar os olhos dos alunos e fazer diferentes barulhos usando instrumentos musicais, latas, brinquedos, etc., a fim de que as crianças identifiquem os mesmos.
Caixa surpresaCom uma caixa de papelão encapada, o professor irá mandar para a casa de um aluno a fim de que os pais enviem algum material que possa ser descoberto pelas crianças. O professor vai fazendo descrições do material, até que as crianças descubram o que é.
Pega-pega diferenteDividir a turma em dois grupos e identificá-los com lenços ou fitas de cores diferentes. Após o sinal do professor, os grupos deverão pegar uns aos outros e a criança pega deverá ficar num espaço delimitado pelo professor. Vence o grupo que tiver mais pessoas que não foram pegas.

Por meio da análise desse quadro informativo sobre as principais atividades lúdicas observa-se que o ato de brincar libera a criança das suas possíveis limitações da realidade em que vive e permite que ela crie um modelo imaginário de atuação, essencial para o seu desenvolvimento social e cultural, bem como sobre a representação do espaço para a criança ser uma construção internalizada a partir das ações e das manipulações sobre o ambiente espacial do qual ela faz parte.

De acordo com Staciolli (2013), quando uma criança participa de uma atividade lúdica, verifica-se que o seu comportamento modifica e sua capacidade de resolver os mais variados problemas, dando a ideia de que seus benefícios são contínuos agindo não somente no ambiente escolar, mas também no seu cotidiano. É importante mencionar que o brinquedo, enquanto uma técnica lúdica a ser utilizada na prática pedagógica da Educação Infantil, supõe uma relação íntima com a criança e a indeterminação de regras para sua utilização, estimulando a representação, a expressão de imagens que evocam aspectos da realidade.

É por intermédio dos brinquedos que as crianças vivenciam determinadas situações da sua vivência corriqueira, construindo um conhecimento embasado em certas habilidades definidas pela estrutura preexistente no próprio objeto e suas regras.

Existem inúmeros brinquedos que aparentemente não possuem abrangência pedagógica, entretanto, em um olhar clínico da pedagogia age como uma forte ferramenta para a aceleração da aprendizagem, sendo os mais utilizados: a boneca, monta-monta, quebra-cabeça, carrinhos, entre outros.

Esses brinquedos, em um modo geral, precisam ser habilitados para deixar de ser apenas mais um brinquedo lúdico para se tornar um brinquedo de caráter pedagógico, com o intuito de provocar uma aprendizagem significativa, estimulando a construção de novos conhecimentos e principalmente despertando o desenvolvimento de uma competência de operação.

Na concepção do autor Santos (2013), na obra intitulada: O Cuidar, o brincar e o educar na prática pedagógica, as atividades lúdicas visam o desenvolvimento de uma aptidão ou capacidade cognitiva e apreciativa específica que possibilita a compreensão e a intervenção do indivíduo nos fenômenos sociais e culturais e que o ajude a construir conectividades.

3. DESCREVER A FUNCIONALIDADE DA ATIVIDADE LÚDICA EM ESPAÇOS EXTERNOS À SALA DE REFERÊNCIA PARA CRIANÇAS DA EDUCAÇÃO INFANTIL.

O ato de brincar é considerado como um mecanismo psicológico que permite à criança a construir um mundo que realize, mesmo que somente em seus pensamentos, os seus desejos e necessidades, onde poderá realizar uma alusão ao seu dia a dia, bem como fazer coisas que só acontecerão na sua imaginação (BENTO, 2017).

É importante salientar que ao praticar as brincadeiras no ato da atividade lúdica, as crianças repetem tudo que lhes marcou e impressionou na sua vida real, tornando-se como donas da situação, sendo claro que na verdade todos esses jogos e brincadeiras são decorrentes de um anseio pela maturidade e pelo desenvolver de uma pessoa adulta.

A terapia psicanalítica com crianças expressa que o adulto é predominante por meio das palavras de comando, considerando que o brinquedo apresenta-se à criança como um instrumento que permite uma comunicação de forma ampla, possuindo um significado semelhante ao dos sonhos para a psicanálise (TEIXEIRA, 2016).

Já para o pesquisador Valério (2016), em sua obra intitulada: o brincar e a realidade, a atividade lúdica assume naturalmente uma função terapêutica para a criança, mesmo que não se trate de um atendimento clínico ou de uma terapia em sentido estrito, ressaltando que o brincar por si mesmo já é uma terapia, representando para a criança não apenas uma atividade prazerosa, mas também, um momento que propicia o domínio e a expressão de suas aflições.

Na visão clínica de Lira & Rubio (2014), na obra intitulada: A importância do brincar na educação infantil, a criança encontra no brinquedo uma maneira para expressar seus medos e suas tribulações, reconstruindo situações que foram traumáticas e dolorosas, revivendo suas emoções com a finalidade de transformá-las de acordo com seus gostos e interesses, repetindo momentos prazerosos e vivenciando situações que não são permitidas na vida real.

Assim como uma pessoa adulta consegue sua evolução por intermédio de sua vivência e contato com o mundo, da mesma forma é a criança que adquire experiência por meio da prática de suas brincadeiras. Dessa forma, a brincadeira infantil favorece uma integração da personalidade e do desenvolvimento da criança, pois fornece uma organização para a iniciação de suas relações emocionais, propiciando o desenvolvimento de contatos sociais.

É essencial o incentivo  na capacidade de brincar que cada criança possui, considerando que esse modelo de construção apresenta-se para a criança como uma forma importante para ela lidar com sua agressividade. Assim, o brincar construtivo significa um sinal de saúde, pois em condições ambientais favoráveis, um impulso construtivo está relacionado com a aceitação pessoal, por parte da criança e da responsabilidade pelo aspecto destrutivo da sua natureza.

Por essa razão, o aspecto da atividade lúdica desempenha um papel essencial, pois ajuda a criança a enxergar a si própria e ao mundo ao seu redor.

Ito (2016) ressalta que os adultos precisam ser conscientizados dos benefícios que o brincar fornece para o desenvolvimento emocional da criança. As experiências tanto externas como internas podem ser férteis para o adulto, mas para a criança essa riqueza encontra-se principalmente na brincadeira e na fantasia. Tal como as personalidades dos adultos se desenvolvem através de suas experiências da vida, assim as das crianças evoluem por intermédio de suas próprias brincadeiras e das invenções de brincadeiras feitas por outras crianças e por adultos.

Logo, todos os brinquedos que, pela sua simplicidade, facilitam a projeção de fantasias, são os que têm mais possibilidades de ajudar a criança na função específica do brinquedo, que é a de elaborar situações problemáticas.

Tendo em vista essas relevantes características do brincar, é imprescindível que a criança seja reconhecida como um ser humano total, que possui sentimentos e necessidades que precisam ser respeitadas e atendidas, e reconhecermos a relevância do brincar na expressão e elaboração de sentimentos, pois, ao menosprezarmos os sentimentos da criança e suas brincadeiras, podemos estar comprometendo ou dificultando o seu desenvolvimento emocional.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Por meio desta pesquisa pôde-se aferir que as atividades lúdicas trazem grandes contribuições para a vida e para o processo de aprendizagem das crianças envolvidas como proponentes na área da educação infantil, permitindo que as mesmas elaborem seus conflitos e suas aflições, assumindo papéis e situações que não são permitidas na vida real.

Após o estudo analítico da pesquisa compreendeu-se que o brincar está inserido na natureza da criança, sendo que as brincadeiras fazem com que as crianças reconheçam o mundo ao seu redor, resultando na relação professor x aluno obtendo um grande aprimoramento de vocabulário e aprendizado, tanto pelo raciocínio quanto pela interpretação.

Normalmente, esse conforto decorrente da atividade lúdica traz impactos positivos às crianças que apresentam situações similares às suas, acarretando benefícios cujas dificuldades emocionais estejam prejudicando sua atenção em sala de aula, seu adequado aprendizado e o seu relacionamento com as demais crianças.

Dessa maneira, durante todo o estudo percebeu-se que o lúdico é de valor essencial para o bom desenvolvimento da criança, sendo que é por meio de brincadeiras, jogos e outros que o processo de ensino-aprendizagem se torna mais enriquecido.

Assim, concluímos que o lúdico, desde muito tempo constituiu seus pilares dentro da sociedade, e é sem dúvida, fonte de inspiração, sabedoria e conhecimento. Por esse motivo, o lúdico torna-se muito importante na educação infantil e que os jogos, brincadeiras e brinquedos lúdicos, com as crianças favorecem o processo de ensino-aprendizagem e de socialização na área da educação infantil.

REFERÊNCIAS

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BENTO, Maria Gabriela Portugal. Arriscar ao brincar: análise das percepções de risco em relação ao brincar num grupo de educadoras de infância. Universidade de Aveiro. Portugal. Revista Brasileira de Educação. v. 22. n. 69. p. 385-403. 2017. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S1413-24782017226920. Acesso em: 10 de setembro de 2023.

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